"Hoje o político precisa ser bom ator", diz professor
Na opinião de Sebastião Faustino, horário eleitoral não cumpre função básica e democrática, porque inicialmente é desigual.
Cinco dias após o início da propaganda eleitoral no rádio e na
televisão, a campanha parece não ter sofrido grande influência nas
inserções do palanque eletrônico. Para entender como funciona e, se
realmente os programas eleitorais cumprem com a função de massificar as
propostas dos candidatos, a reportagem do Nominuto.com conversou com o professor do Departamento de Comunicação da UFRN, Sebastião Faustino Pereira Filho.
Sebastião
Faustino tem doutorado em educação, mestrado em ciências sociais,
especialização em jornalismo cultural e graduação em jornalismo. Além
disso, o professor é autor dos livros: Homo Midas e o político midiático
na folia do rei nu (2009) e Saber midiático: a educação necessária no
século XXI (2010).
Nominuto.com – O horário eleitoral cumpre com sua função?
Sebastião Faustino
- Na verdade, o horário eleitoral gratuito, que não é gratuito, já que
esse horário é debitado no Imposto de Renda das empresas de comunicação,
não cumpre com a função básica e democrática, porque inicialmente é
desigual. A forma de distribuição do tempo beneficia candidatos com
coligações maiores. Você, como exemplo, vê no pleito de São Paulo, Lula e
Maluf se tornando aliados para ter um horário maior, em outros tempos
isso seria impensável. Depois o horário teria essa função de socializar
as propostas dos candidatos para a toda sociedade, mas temos Implicações
de quantidade de tempo maior para uns e não para outros, isso fere o
princípio democrático de igualdade.
Nominuto.com – Os políticos conseguem passar seus projetos através dos programas eleitorais?
SF
- A maioria sim, porque atrás deles há muitos profissionais dando
suporte, são profissionais da comunicação e isso ajuda o candidato a se
tornar midiático. Hoje há uma inversão, porque quando a televisão chega,
ela muda o sentido das campanhas que antes eram voltadas aos comícios,
as longas caminhadas pela cidade, com o aperto de mão do candidato, com o
corpo-a-corpo, mas hoje, com o crescimento da cidade, foi necessário ir
até o palanque eletrônico, e isso fez com que o político muda-se,
deixando de ser apenas político e passando a ser também um ator, porque
hoje é preciso ser um bom ator para convencer. Não é só a oratória, não é
mais a força do comício, é preciso saber passar tudo no audiovisual.
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